Happy Learning Carol: O beabá do mundo LGBTQIPA+

Percebi que muita gente se considera ignorante no tema, por isso quis trazer da forma mais explicativa possível um resumão básico desse mundo, as dores e as cores dessa comunidade 🙂

Mas então vamos começar do começo.

O que significam todas essas letras?

L: lésbicas

Mulheres, cis ou trans, que se relacionam sexualmente/ afetivamente com mulheres, cis ou trans.

G: gays

Homens, cis ou trans, que se interessam por outros homens, também cis ou trans.

* Foca em “mulheres (ou homens) cis ou trans”:  Ser gay ou lésbica é uma orientação sexual, ser cis ou trans é identidade de gênero e uma coisa não influencia a outra.

B: bissexuais

A bissexualidade é uma orientação sexual cuja característica central é a atração sexual e/ou afetiva por ambos os gêneros.

T: transsexuais

Trans é uma indentidade gênero, quando uma pessoa não se identifica com o gênero de seu nascimento e, nesse sentido, decide adequá-lo à forma como se enxerga no mundo.

Essa readequação não necessariamente é feita no corpo. Não é necessário fazer cirurgias para se sentir quem você é de verdade, mas se quiser tá permitido

Q: queer

O Queer é uma transgressão, quando o sujeito não corresponde à heteronormatividade e transita por gêneros diferentes.

Esse termo surgiu com o livro Gender Trouble, da Judith Butler, que busca ir além das teorias baseadas na oposição homens vs. mulheres e também aprofundar os estudos sobre minorias sexuais dando maior atenção aos processos sociais amplos e relacionados que sexualizam a sociedade como um todo de forma a heterossexualizar e/ou homossexualizar instituições, discursos, direitos.

“Orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos são o resultado de um constructo social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana.”’

I: Interssexuais

Sujeitos que nasceram com uma anatomia reprodutiva e sexual e/ou um padrão de cromossomos que não se ajusta às definições típicas do feminino ou masculino. É a única categoria que se embasa na biologia.

P: Panssexuais

O pansexual não se preocupa com a identidade de gênero ou orientação sexual do eleito, o que inclui pessoas não-binárias (que não se encaixam no binarismo, o feminino e masculino – ou transitam entre os gêneros).

A: Assexuais

São pessoas que possuem a falta total, parcial ou condicional de atração sexual a qualquer pessoa, independente do sexo biológico ou gênero.

+:

Demais possibilidades de orientações sexuais ou identidades de gênero

Por que antes a sigla era GLS e agora é LGBTQIPA+?

GLS foi um acrônimo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes e seu objetivo inicial era puramente mercadológico, mas em pouco tempo foi adotado pela sociedade brasileira. Posteriormente, foi percebido que as três letras excluíam algumas orientações e identidades.

Inicialmente a sigla foi trocada pra GLBT, porém as letras “L” e “G” foram trocadas de lugar para valorizar as lésbicas no contexto de diversidade sexual, considerando que a visibilidade dos homens gays é muito maior do que a das mulheres homossexuais na sociedade, tornando-se assim LGBT. E, com o passar do tempo, a sigla continua se adaptando.

O movimento LGBT e o dia do orgulho

Nos anos 1960, o Stonewall Inn era um dos mais conhecidos bares gay de Nova York. Ali a maioria dos frequentadores eram jovens da periferia, sem-teto (muitos que haviam deixado suas famílias por causa de preconceito) e drag queens.

A polícia fazia vista grossa ao estabelecimento porque seus donos, que tinham relação com a máfia, pagavam propina para que ele funcionasse. O local não tinha licença para a venda de bebida alcoólica e não respondia a uma série de outras regulamentações como ter saída de emergência. E várias batidas policiais estavam sendo feitas em bares naquela época, principalmente para controlar quem podia vender álcool.

Na madrugada do dia 28 de junho de 1969, a polícia resolveu fazer mais uma batida no bar. Nove policiais entraram no local e, sob a alegação de que a venda de bebida alcoólica era proibida ali, prenderam funcionários e começaram a agredir e a levar sob custódia alguns frequentadores travestis e ou drag queens que não estavam usando ao menos três peças de roupa “adequadas” a seu gênero, como mandava a lei.

Treze pessoas foram detidas. Algumas, ao serem levadas para a viatura, decidiram provocar os policiais fazendo caras e bocas para a multidão. A polícia então começou a usar de mais violência para fazê-las entrar nos carros.

A partir daquele momento, a multidão fora do Stonewall Inn começou a jogar moedas nos policiais e, em seguida, garrafas e pedras. Também tentaram virar de cabeça para baixo uma viatura. Assim parte da comunidade gay de Nova York, que até então se escondia, foi às ruas protestar nos arredores do Stonewall Inn durante seis dias.

Os manifestantes demonstravam orgulho de ser quem eram e provocavam a ordem e a polícia, como relata o jornalista Lucian Truscott IV, na reportagem sobre a revolta publicada no jornal Village Voice. “Mãos dadas, beijos e poses acentuavam cada um dos aplausos com uma libertação homossexual que havia aparecido apenas fugazmente na rua antes”, escreveu ele.

E foi assim que a Revolta ou Rebelião de Stonewall de 1969 fez surgir o nosso orgulho de ser quem a gente é.


Em 2015, a Prefeitura de Nova York tornou o bar monumento histórico da cidade. Um ano depois, o ex-presidente Barack Obama decretou que o bar seria o primeiro monumento nacional aos direitos dos LGBTQ.

E no Brasil??

“A ditadura acabou atrasando em dez anos a emergência do movimento LGBT no Brasil”

Em dezembro de 1968, havia sido outorgado o Ato Institucional nº 5, que retirava uma série de liberdades civis e de direitos individuais e que fez aumentar a censura.

O pequeno Stonewall brasileiro

Em 19 de agosto de 1983, um protesto que ocorreria em um bar frequentado por mulheres gay em São Paulo, o Ferros’s Bar. Na véspera, o dono do bar no centro de São Paulo havia chamado a polícia e impedido algumas mulheres de vender no local uma publicação chamada “ChanacomChana”, porque esta “atentava contra os bons costumes”.

No dia seguinte, várias frequentadoras e ativistas invadiram o Ferro’s para ler ali um manifesto em defesa dos direitos das lésbicas. Em 2003, a data deste protesto, 19 de agosto, se tornaria o Dia do Orgulho Lésbico no Brasil.

Atos políticos no Brasil

O primeiro ato político, 1977, foi quando o advogado gaúcho João Antônio Mascarenhas, convida o editor da publicação “Gay sunshine”de São Francisco, para conferências no BR.

Mascarenhas ainda funda, em plena ditadura militar o jornal “Lampião da esquina” junto a outros homossexuais, um registro histórico da luta contra preconceito e pelos direitos civis LGBT. De 1978 a 1981.

Em 1985 o Conselho Federal de Medicina retira “homossexualismo” da classificação de doenças.

A bandeira do arco-íris

Gilbert Baker criou o estandarte, originalmente com oito cores, em 1978, para o Dia de Liberdade Gay de San Francisco, na Califórnia (Estados Unidos). Baker queria transmitir a ideia de diversidade e inclusão, usando “algo da natureza para representar que nossa sexualidade é um direito humano”.

Tempos depois, a bandeira foi reduzida a seis cores, sem o rosa e o anil. O azul também acabaria por substituir o turquesa.

Curiosidade sobre a bandeira

Em 1994 foi a maior bandeira do mundo. Em Nova York, com 1,6 km de extensão, foi carregada por 5 mil pessoas e depois estendida no prédio da ONU. Em 2003 – no aniversário de 25 anos da bandeira – o próprio bateu seu record com uma nova bandeira de 2 km de extensão, que atravessava a cidade de Key West, na Florida.

Homofobia

Ódio, aversão ou discriminação de uma pessoa contra homossexuais ou homossexualidade. Se manifesta em ações de violência velada ou explicita, na intolerância no meio institucional ou informal negando o direito a uma vida digna.

A violência

A cada 20 minutos, um LGBTQIPA+ é morto no Brasil.

Suicídio

A Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, realizou um estudo sobre a relação entre a orientação sexual e o suicídio entre jovens. Os resultados mostraram os homossexuais têm mais probabilidade de praticar o ato e que o local de convívio social também exerce bastante influência – ambientes mais abertos à homossexualidade apresentam menos casos de suicídio. Cerca de 32.000 jovens anônimos participaram do estudo. Os dados analisados pela equipe são provenientes de uma pesquisa anual realizada pelo estado do Oregon, a Oregon Healthy Teens Survey. Os particpantes são alunos de escola púbica entre 13 e 17 anos. Com base nas respostas dos jovens, a pesquisa concluiu que a probabilidade de um homossexual cometer suicídio é cinco vezes maior do que um jovem heterossexual.

Tudo isso nada mais é do que uma busca de pertencimento social e cultural. A comunidade LGBTQIPA+é uma comunidade de muita luta, dor, mas também de muita força e ORGULHO.

Eu sei que pode parecer muito complexo, mas a realidade é bem simples: é só respeitar o coleguinha e se amar. <3

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