#BlackoutTuesday e a luta contra o racismo nas redes sociais

#blackouttuesday

Esta semana, acompanhamos ao vivo um verdadeiro apagão nas redes sociais. A #blackouttuesday chegou acompanhada de milhões de telas pretas. Mais do que uma modinha do momento, o que presenciamos foi um movimento social de nível global. Uma nota de repúdio coletiva contra o racismo.

Você já deve estar sabendo, mas não custa contextualizar: a discussão sobre racismo e igualdade é uma constante em nossa sociedade, mas ela “explodiu” recentemente por conta de George Floyd, um homem negro de 46 anos que foi vítima de violência policial por parte de um policial branco e morreu por asfixia. O vídeo do episódio, que mostra o policial com o joelho sobre o pescoço da vítima, que claramente está agonizando sem ar, é duro de se assistir.

Este episódio é só mais um de uma dura realidade: o preconceito racial ainda está entre nós, e se faz presente de diversas maneiras. Pode ser só uma “piada inocente” ou um apelido pejorativo, mas também há ofensas diretas, discriminação, ameaças e violência.

Parece absurdo termos que falar sobre isso em pleno 2020 – em meio a uma pandemia que já matou mais de 350.000 pessoas pelo mundo – mas a discussão é necessária. Vivemos em uma sociedade que não é capaz de respeitar os preceitos mais básicos de igualdade. Ainda existe gente que se acha superior só por conta da cor da pele.

Eu sou branco, e nem sou capaz de começar a entender como deve ser difícil a vida de quem convive com o racismo diariamente. Só quem passa por isso, e sente na pele o preconceito é que sabe. Mas, a gente não precisa entender para ter empatia, se solidarizar, e se posicionar contra o racismo pelo problema social — e pelo crime — que ele é.

O movimento #blackouttuesday

Foi isso o que milhões de pessoas ao redor do mundo fizeram essa semana: a #blackouttuesday chegou com tudo, e as redes sociais foram inundadas por retângulos pretos, que representavam a voz coletiva  de milhões de pessoas que decidiram não se calar.

O movimento partiu da indústria fonográfica, que utilizou a #showmustbepaused (“o show precisa parar”, contrariando o jargão “o show tem que continuar”) para sair de cena e dar espaço para o problema ser discutido. Gigantes do mercado como Columbia Records, Sony Music, Universal e Warner Music aderiram ao movimento, e com elas, diversos artistas reforçaram o coro.

A partir daí, surgiram outras # como #blacklivesmatter, #vidasnegrasimportam e outras, que enalteciam a força global do movimento antirracista. A terça-feira, 02 de junho, tornou-se assim a #blackouttuesday, e foi o dia em que todo o mundo usou o poder da internet para se erguer contra o preconceito racial.

A #blackouttuesday e as marcas

Quando um assunto polêmico ganha essa proporção, as marcas não devem se isentar. É o momento de se posicionarem, não só para “aproveitarem a onda”, mas para fazerem valer seus princípios e valores. Simplesmente não há espaço para racismo, e ignorar o problema é só uma forma neutra de compactuar com ele.

Essa adesão ocorreu de diversas formas. O Spotify, por exemplo, trocou as capas de suas principais playlists para versões apenas em preto e tons de cinza escuro. Na terça, a plataforma de streaming musical também fez uma pausa global de 8 minutos e 46 segundos nas transmissões – em referência ao tempo que o policial ficou ajoelhado no pescoço de George Floyd.

Houve marcas que aderiram ao retângulo preto com a #blackouttuesday, e outras que, em respeito à causa, não mantiveram sua rotina tradicional de postagens. Nos EUA, a Ford se absteve de anunciar nas redes sociais durante as manifestações: “nós decidimos recuar, até mesmo com os tweets sobre produtos. não faz sentido se manifestar a não ser que você tenha algo realmente relevante a dizer”, afirmou o diretor de marketing da marca, Matt VanDyke.

Teve até eventos online sendo cancelados. A Sony adiou o evento de anúncio de seu novo videogame, o Playstation 5, que estava marcado para hoje (quinta-feira, 04/06).

Em um comunicado oficial em suas redes sociais, a empresa afirmou que “este não é um momento para celebrações”, e acredita que “vozes mais importantes devem ser ouvidas”.

Como fazer mais?

Marcas, influenciadores, empresas e pessoas comuns, de todo o mundo, se rebelaram contra o racismo nas redes sociais. E também estão rolando protestos e manifestações em diversos lugares do mundo, principalmente nos Estados Unidos.

#blackouttuesday
Imagem: R7

É ótimo vermos que a discussão alcançou mais pessoas, mobilizou tantos setores da sociedade, mas postar um quadrado preto é só o começo. Todos precisamos nos conscientizar e denunciar casos de racismo. Afinal, é crime, e quem propaga o ódio e o preconceito precisa responder legalmente por isso.

Também vimos empresas e artistas abrindo a carteira para abraçar a causa: o Facebook vai doar 10 milhões de dólares para “grupos comprometidos com o fim da injustiça racial”. O jogador de futebol americano Dak Prescott doará 1 milhão para “melhorar o treinamento da polícia e combater o racismo sistêmico”. O ator Ryan Reynolds e sua esposa, a atriz Blake Lively, doaram 200 mil dólares para a NAACP, uma das mais antigas e mais influentes instituições a favor dos direitos civis dos negros dos Estados Unidos. O elenco e a equipe técnica do seriado Brooklyn 99 juntaram 100 mil dólares para doar ao The National Bail Fund Network, outro importante representante da luta pelas minorias.

Ok, mas e a gente que não é rico e famoso, pode fazer mais? Claro que pode: você pode apoiar instituições e causas sociais que valorizam a raça e a cultura negra. Como o Coletivo Pretaria, por exemplo, que faz um baita trabalho de divulgação de profissionais negros. Aqui no Brasil também existe o Baobá, um fundo para equidade racial que apoia projetos e causas antirrascistas.

Especificamente para o caso de George Floyd, também foi criado o George Floyd Memorial Fund (https://www.gofundme.com/f/georgefloyd), que visa angariar dinheiro para causas sociais e amparo aos cidadãos estadunidenses negros.

Se todos fizerem um pouquinho, poderemos, quem sabe, tornar o mundo um lugar melhor, mais igualitário e mais humano para todos. 😉

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